segunda-feira, 26 de setembro de 2016

12 abas




Houve um tempo em que as coisas eram bem menos acessíveis. Poucas pessoas tinham computador em casa. A internet era discada. O seu primeiro celular só vinha na adolescência já avançada. Mas esse tempo não foi há muito tempo. Foi ontem. Pelo menos era assim que parecia.

Os trabalhos da escola deveriam ser consultados na Barsa, que sabia de tudo, assim como o Google hoje em dia. Sua pesquisa era entregue manuscrita, porque trabalho impresso era exigir demais. Os mesmos trabalhos eram realizados na escola ou na casa de algum colega, no horário que foi combinado na saída das aulas. Se você precisasse desmarcar, tinha que ligar na casa do seu amigo. 

SMS era a sensação. Principalmente quando você conseguia justapor os caracteres do celular e formar algum desenho com eles. O visor era verde e as letrinhas pretas. Toque de celular? Só os polifônicos. E eles custavam 1/3 do seu crédito mensal. Nem sempre dava para comprar e você precisava refletir bastante sobre em qual música gastaria seus R$ 2,99 (o que equivale a R$ 15,00 hoje). Era uma decepção quando ninguém reconhecia o seu toquinho.

Para saber a letra de alguma música em inglês, você precisava ir até à banca de revista e comprar um exemplar, que até trazia a tradução. Já o clipe dela só em horários específicos na MTV ou na Band. E para ouvi-la regularmente era preciso comprar o CD.

Hoje, tudo isso é bem mais fácil de fazer. Num intervalo de 2 minutos eu posso abrir o Youtube e procurar pelo clipe do meu cantor favorito para escutar, enquanto olho a letra da música em outra aba, pesquiso no Google alguma imagem para a postagem que estou escrevendo, abro a minha Caixa de Entrada do e-mail, confiro as melhores passagens de avião para a minha próxima viagem, respondo as 37 mensagens do Whatsapp, mantenho aberto o ebook do livro que estou lendo para o clube da leitura e dou aquela checada na minha timeline do Facebook. Isso tudo em 12 abas. Isso tudo em 2 minutos.

Agora eu posso fazer tudo. Mas, na verdade, não tenho feito nada.